Não é preciso ter uma Ferrari ou um Porsche na garagem para poder se divertir ao volante de um carro. Hoje em dia, os fabricantes produzem carros comuns que atendem à necessidade de uma maioria. Vez ou outra, algum “iluminado” autoriza aquele projeto que tem tudo para dar errado comercialmente, mas faz a alegria de uma minoria entusiasta.

São justamente esses carros especiais que se tornarão clássicos no futuro e são joias raras no mercado de usados. O trio formado por motor potente, baixo peso e câmbio manual estão cada vez mais raros. No início dos anos 1990, a Suzuki trouxe o Swift, um hatch bem interessante, de aparência despretensiosa e com muito vigor. Um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. O pequeno motor 1.3 com 101 cv era mais do que suficiente para puxar os 790 kg do carrinho. É isso mesmo: apenas 7,82 kg/cv, uma relação peso/potência que poucos modelos conseguem hoje em dia.

Partindo disso, separei algumas opções mais atuais presentes no nosso mercado de carros usados, que tenham câmbio manual e menos de 8 kg/cv. Você que tem combustível nas veias vai adorar:

Honda Civic Si 2.4 16V (relação peso/potência 6,60 kg/cv): entre R$ 95 mil e R$ 99 mil

O Civic é um sucesso de vendas e isso não é novidade para ninguém. Entre 2014 e 2015, a Honda trouxe do Canadá a versão Si, com um grande motor 2.4 aspirado de 206 cv! O mais forte de todos os Civic que tivemos por aqui derrapou nas vendas. Talvez por ser oferecido apenas a opção com de câmbio manual e carroceria cupê. Mas é justamente isso que faz dele um carro especial, apreciado por poucos.

Honda Civic Si 2.0 16V  (relação peso/potência 6,89 kg/cv): entre R$ 40 mil e R$ 55 mil

Diferentemente do Civic acima, esse com motor 2.0 16V de 192 cv fez relativo sucesso e vendeu bem. Além de ser nacional, a carroceria era a mesma do sedã, com quatro portas. O câmbio manual estava lá, como única opção, para alegria dos “hondeiros”. Foi muito elogiado na época por ter dirigibilidade irrepreensível. Discreto, tinha como diferencial o pequeno aerofólio na tampa traseira e rodas exclusivas. O interior também era único, com estofamento em camurça, painel com iluminação vermelha e conta giros até os 9.000 rpm! Com donos que gostam de acelerar, é difícil encontrar um desses com a mecânica original, pois muitos sofreram preparações para aumentar o desempenho do motor.

Peugeot 208 GT (relação peso/potência 6,91 kg/cv): entre R$ 65 mil e R$ 70 mil

Apresentado no ano passado, ainda é raro no mercado de carros usados. Mas já com uma boa diferença de preço em relação ao 0km. O motor 1.6 turbo de 173 cv aqui é oferecido com câmbio manual de seis marchas em uma carroceria leve e pequena. Esse 208 tem tudo para ser um carro desejável por qualquer um que goste de fortes emoções.

Audi A3 2.0 TFSI Sportback (relação peso/potência 7,05 kg/cv): entre R$ 42 mil e R$ 56 mil

A Volkswagen tem na prateleira o polivalente motor 2.0 turbo com 200 cv. Equipa vários carros seus e da Audi. Somente o A3 Sportback foi oferecido com câmbio manual, durante alguns anos. Sorte do mercado de carros usados que pode oferecer esse veículo incomum, com muito luxo, potência e os três pedais cultuados por 10 entre 10 entusiastas. Tudo isso por uma fração do preço de um A3 0km.

Citroën DS3 (relação peso/potência 7,06 kg/cv): entre R$ 44 mil e R$ 77 mil

Tudo o que falei sobre o Peugeot 208, posso replicar aqui no DS3. Os dois são praticamente irmãos (compartilham plataforma e mecânica), mas o DS3 tem algo exclusivo: o design. Enquanto o 208 GT pode ser confundido com qualquer outro 208 mais simples, o DS3 é único e conta com opções de cores diferentes para o teto e carroceria. Esse charme, junto com as duas portas, fazem toda a diferença. Outra vantagem está no preço, já que está entre nós há mais tempo. Apesar do motor 1.6 turbo (165 cv) ser o mesmo, só não é tão potente quanto o 208 por não ser flex.

Peugeot 2008 THP (relação peso/potência 7,12 kg/cv): entre R$ 64 mil e R$ 72 mil

É um 208 com suspensão e carroceria mais altas, proposta de um despretensioso e pacato carro familiar. A versão “correta” para isso é a que tem motor 1.6 aspirado com câmbio automático. No entanto, o pessoal da Peugeot achou uma boa colocar o motor 1.6 turbo flex de 173 cv com câmbio manual no SUV – a caixa automática ainda não é oferecida com este propulsor por questões de espaço na plataforma. Ficou animal! É muita potência para o peso do carro e isso o torna único. O carro certo para aquele pai ou mãe que se recusa a ter um modelo de apelo familiar.

Renault Fluence GT (relação peso/potência 7,45 kg/cv): entre R$ 47 mil e R$ 55 mil

O “sedanzão” da Renault tem muitas qualidades desde que foi apresentado, mas nunca deslanchou nas vendas. De alguma forma, os franceses tentaram ter sucesso com essa versão equipada com um motor 2.0 turbo a gasolina de 180 cv e câmbio manual de seis marchas. Mesmo sendo um carro pesado, a boa entrega de torque dá um comportamento mais ágil ao Fluence. Pena que essa versão durou apenas dois anos. O preço no mercado de carros usados é muito atrativo para quem busca espaço interno farto e ótimo desempenho. Aliás,

Suzuki Swift versão Sport (relação peso/potência 7,50 kg/cv): entre R$ 63 e R$ 64 mil

O “carrinho” que me deu a ideia de fazer essa lista não poderia ficar de fora em sua geração mais atual. É uma pena que o mercado foi cruel com ele e fez com que a Suzuki parasse de importá-lo. Até estava presente no Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado, mas era um modelo 2014, como pode ser visto neste . Quem não liga para números de vendas, pode levar para casa esse interessantíssimo hatch, com a mesma proposta que tinha nos anos 1990: baixo peso, relativamente motor potente (1.6 de 140 cv) e câmbio manual.

Renault Sandero versão RS (relação peso/potência 7,74 kg/cv): entre R$ 49 mil e R$ 54 mil

O inusitado Sandero RS em nada nos faz lembrar das versões mais simples e racionais. Neste, a Renault colocou o motorzão 2.0 16V da casa (o mesmo do Duster), junto com o câmbio manual de seis marchas, freio a disco nas quatro rodas, controles de estabilidade e tração e suspensão preparada. Tudo para alegrar quem aprecia um bom carro leve e potente. O modelo foi a estrela de um comparativo com o 208 GT no Belta-diet.info.

Pude gravar um breve vídeo desse exposto no Salão do Automóvel do ano passado, com a pintura que remete os tempos de glória no automobilismo.

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no e curta a página de Felipe no .