Em diversas matérias a respeito de carros verdes no Brasil é comum esbarramos no mesmo problema: a estrutura. Essa questão é o principal vilão quando o assunto é o lançamento de um modelo não poluente.

A tecnologia mais comum dentro desse segmento é a de carros elétricos do tipo plug-in, ou seja, aqueles que podem ser recarregados em uma tomada convencional. Ainda que o Brasil seja o segundo maior produtor de energia por meio de hidroelétricas, no universo automotivo a iniciativa ainda está engatinhando.

No entanto, há alguns anos, outra tecnologia adotada para carros verdes tem ganhado espaço: a célula de hidrogênio. Nos Estados Unidos e no Japão já existem veículos capazes de rodar utilizando apenas este gás nobre. Porém, apesar de ser um gás abundante na atmosfera, sua captação, armazenado e fornecimento tornam o processo muito caro. Por exemplo, um tanque de armazenamento, seja no carro ou nos postos, é preciso ser revestido com liga de titânio para aguentar a pressão. O que para o Brasil torna a proposta praticamente inviável.

Com todas essas variações em mãos e a expertise da maior vendedora de carros elétricos no mundo, a Nissan desenvolveu uma tecnologia muito mais barata, limpa e de fácil acesso ao brasileiro. Trata-se da criação de hidrogênio a partir do nosso etanol.

Protótipo da Nissan com Célula de Combustível e-Bio é abastecido 100% com etanol para carregar uma bateria de 24kWh que permite autonomia de mais de 600 km.

Protótipo da Nissan com Célula de Combustível e-Bio é abastecido 100% com etanol para carregar uma bateria de 24kWh que permite autonomia de mais de 600 km.

Essa é a tecnologia presente em um protótipo apresentado à imprensa na última semana, o Nissan SOFC (sigla para Célula de Combustível de Óxido Sólido). O funcionamento é simples: no tanque entra o etanol, que passa por um reformador para se misturar com o ar e, por meio de um processo químico, criar o hidrogênio. O hidrogênio é enviado para a célula de combustível que alimenta uma bateria e fornece energia ao veículo.

Portanto, em resumo, temos um carro com propulsão elétrica criada através do hidrogênio que é retirado da mistura entre o ar e o etanol. Com a combinação dessa com outras duas tecnologias (motor e baterias elétricos), o Nissan SOFC consegue autonomia superior a 600 km

Apesar de toda a estrutura presente para essa tecnologia, a implementação deve demorar. Segundo a Nissan, esses foram os primeiros testes da tecnologia desenvolvida no Brasil. A partir de agora, o modelo irá ao Japão para novos estudos.

Quanto ao visual, o modelo escolhido é um utilitário NV200, vindo da Espanha. Seu comportamento é idêntico ao veículo elétrico, ou seja, torque disponível imediatamente e silêncio predominante, com a vantagem de não contar com a inconveniente alimentação via tomada.

Nissan SOFC consegue autonomia superior a 600 km

Fotos: Divulgação