Desde o começo do ano, a Jeep colabora com o  cedendo veículos com tração 4×4 para as equipes de pesquisadores acompanharem as desovas e os nascimentos de filhotes de tartarugas marinhas no litoral brasileiro. A ação reforça uma parceria não intencionada que começou em 1982, quando os fundadores do projeto usaram três Jeep Willys para resgatar tartarugas ameaçadas de extinção em praias de difícil acesso no Rio Grande do Norte.


Entre os nove carros com cedidos pela Jeep, incluindo os modelos Compass e Renegade, há um Wrangler que será utilizado pelos pesquisadores na base do Projeto Tamar em Fernando de Noronha (PE), onde foi celebrada a devolução de 35 milhões de tartarugas marinhas à natureza desde a fundação da entidade.

O Belta-diet.info acompanhou de perto um pouco do trabalho dos pesquisadores do Projeto Tamar e ainda dirigiu, com exclusividade, o Wrangler em trilhas que dão acesso às praias mais isoladas que servem de berçário às tartarugas marinhas no arquipélago.

A nossa pequena aventura em Fernando de Noronha começou na manhã do último sábado (5) com as orientações de César Coelho, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), que nos guiou até a Praia do Leão, considerada a mais propícia para a reprodução das tartarugas na ilha. Para chegar até o local tivemos de encarar um pequena trilha que estava escorregadia devido a insistente chuva que caía desde a noite anterior.

No trecho menos desafiador, nem precisamos acionar a tração 4×4 do Wrangler para superar a buraqueira e o piso enlameado. O jipe não toma conhecimento de pequenos obstáculos por conta das robustas suspensões dianteira e traseira com eixo rígido e amortecedores ajustáveis com válvulas de baixa velocidade, que controlam a inclinação da carroceria de acordo com as condições do terreno. Os bons ângulos de ataque (35º) e saída (28º) favorecem o jipe na hora de subir ou descer barrancos e passar por valetas. Os 21º do ângulo central impedem que o Wrangler fique enroscado onde a maioria dos SUVs e picapes não conseguiriam passar.

A valentia do Wrangler no fora-de-estrada também pode ser atribuída ao motor Pentastar 3.6 V6 a gasolina de 285 cv de potência e 34,7 kgfm de torque. Combinado a um câmbio automático de cinco marchas, o propulsor garantiu força suficiente para superarmos sem dificuldades uma subida repleta de pedras soltas. Depois desse trecho, seguimos a pé pela faixa de areia, onde o acesso de veículos é proibido, para acompanhar a transferência de um ninho de tartaruga marinha para um local mais seguro. Segundo César Coelho, além da ameaça dos predadores naturais (aves, caranguejos, lagartos, roedores), os alagamentos provocados na areia pelo excesso de chuvas também podem matar os ovos das tartarugas.

Antes de sairmos da trilha, seguimos até o mirante da Ponta das Caracas. A estradinha parcialmente alagada foi um prato cheio para continuar testando as capacidades do Wrangler, que pode atravessar riachos de quase meio metro de profundidade. Para evitar algum contratempo – e as divertidas escorregadas da traseira na lama -, acionamos a tração 4×4 na pesada alavanca posicionada ao lado do câmbio. Mais uma vez o Wrangler ignorou as dificuldades do terreno, honrando o DNA herdado do rústico Willys MA criado em 1941 para servir o Exército Americano na Segunda Guerra (1939-1945).

Apesar da rusticidade proposital, o Wrangler até que trata bem os ocupantes. O jipe possui ar-condicionado, sistema de som com Bluetooth e comandos no volante, faróis com acendimento automático, sensor de chuva, piloto automático, monitoramento da pressão dos pneus, vidros e travas com acionamento elétrico nas quatro portas. Já a direção hidráulica é surpreendentemente leve, considerando a proposta do jipe e os pneus de uso misto. Os obrigatórios airbags frontais e freios ABS, em conjunto com os controles eletrônicos de estabilidade e tração e as assistências de partida em rampa e de controle de frenagem em descida, garantem maior segurança tanto no asfalto quanto nas trilhas.

Entretanto, faz falta um estribo para acessar a cabine, tão alta quanto a de uma picape média e com o agravante do limitado ângulo de abertura das portas traseiras. Quem viaja atrás, além de sofrer mais com os sacolejos da suspensão projetada para trilhas, fica em uma posição incômoda em trajetos mais longos ao se sentar com os joelhos mais elevados que o quadril – e ainda corre o risco de se sujar nas molduras dos para-lamas ao entrar ou sair do veículo depois de passar por um lamaçal ou até uma simples chuva. Já os que preferem um passeio mais radical, podem remover o teto e as portas e até dobrar o para-brisas do Wrangler para uma sensação de liberdade ainda maior.

Apesar desses detalhes, o Wrangler serve muito bem quem gosta e pode pagar R$ 205 mil por um veículo com vocação para rodar em praticamente qualquer lugar. Uma pena que o jipe não tenha uma versão movida a diesel, uma vez que a autonomia do tanque de 85 litros pode ficar consideravelmente limitada no uso severo – lembrando que, em Fernando de Noronha, o litro da gasolina custa surreais R$ 6,79 devido os custos de transporte do combustível do continente até a ilha.

Já a nossa “missão” terminou no final da tarde, na Praia do Boldró, onde a equipe do Projeto Tamar de Fernando de Noronha realizou a soltura de filhotes de tartarugas marinhas, que seguiram em direção ao oceano para cumprir a sua árdua jornada no ecossistema. De acordo com os pesquisadores do projeto, a cada mil tartaruguinhas devolvidas à natureza, somente uma ou duas chegarão à fase de reprodução depois de 30 anos.

Apresentada em 2017, a nova geração do Wrangler (foto acima) deve chegar ao Brasil entre o segundo semestre deste ano e começo de 2019. O jipe foi totalmente renovado com uma estrutura mais leve, faróis e lanternas de LED, central multimídia, entre outras melhorias.

As motorizações a gasolina disponíveis atualmente nos Estados Unidos são a Pentastar 3.6 V6 com potência elevada para 289 cv e a inédita 2.0 turbo de quatro cilindros de 271 cv, com as opções de câmbio manual de seis marchas ou automática de oito velocidades. Um 3.0 V6 turbodiesel também está nos planos da Jeep.

Viagem a convite da Jeep
Fotos: Michele Roth / Divulgação Jeep e Projeto Tamar

Ficha técnica
 
CarroceriaEm aço, cinco portas, cinco lugares sobre chassi de longarinas de aço
MotorDianteiro, longitudinal, injeção multiponto, duplo comando de válvulas no cabeçote acionado por corrente, a gasolina
Número de cilindros6 em V
Número de válvulas24 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10,2:1
Cilindrada3.605 cm³
Potência 285 cv a 6.350 rpm
Torque35,4 kgfm a 4.300 rpm
TransmissãoAutomática de cinco marchas
TraçãoTraseira e 4x4 com reduzida
DireçãoHidráulica
Suspensão dianteiraEixo rígido com molas helicoidais
Suspensão traseiraEixo rígido com molas helicoidais
Pneus e rodas 245/75 R17, liga leve 17"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos sólidos com ABS e EBD
Volume do tanque de combustível 85 litros
Volume do porta-malas498 litros
Altura1,86 m
Comprimento4,75 m
Largura1,87 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,94 m
Peso em ordem de marcha1.924 kg
Carga útil554 kg
Vão livre do solo24,2 cm
Ângulo de entrada35º
Ângulo de saída28º
Ângulo central21º
Travessia de água48,3 cm
0 a 100 km/h8,9 segundos
Velocidade máxima180 km/h