Muita gente que contempla as belas paisagens de Fernando de Noronha (PE) não imagina como é complicado ter um carro para rodar na ilha. Para adquirir um automóvel, o morador local precisa de uma autorização da administração do arquipélago de cerca de 3 mil habitantes. Mas para conseguir esse documento, é preciso entrar em uma fila de espera que pode levar anos, uma vez que para um veículo entrar na ilha, outro tem de sair.

A exigência foi criada para facilitar a fiscalização da frota e não provocar maiores impactos ao sensível ecossistema do arquipélago. Segundo o Departamento de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE), atualmente rodam de 1.229 veículos em Fernando de Noronha, contabilizando automóveis, bugues, caminhões, comerciais leves, motos, ônibus, picapes, vans, etc.

Em 2011, o jornal pernambucano publicou uma série de reportagens denunciando, entre outros problemas, a comercialização ilegal dessas autorizações entre moradores da ilha. Na época, o documento chegou a valer R$ 70 mil.

Com a autorização em mãos, o morador de Fernando de Noronha precisa ir até o continente para adquirir o veículo. Após a compra, é preciso despachá-lo em um navio cargueiro, que leva dois dias para navegar os 550 quilômetros que separam a capital pernambucana Recife da ilha. O custo do frete é de aproximadamente R$ 8 mil para um automóvel, mas o valor pode variar de acordo com as dimensões e o peso do veículo. Motos são enviadas parcialmente desmontadas por um preço inferior.

Devido o alto custo do transporte, os moradores procuram sempre resolver a manutenção dos veículos na própria ilha. Imagine só ter de pagar um frete de ida e outro de volta para fazer uma simples revisão em Recife.

Em Fernando de Noronha, todos os veículos têm de pagar as mesmas taxas cobradas no continente. Tomando um carro zero quilômetro como exemplo, o seu proprietário é obrigado a desembolsar R$ 320,24 referentes às taxas do primeiro registro no estado de Pernambuco, lacração, seguro obrigatório/DPVAT e licenciamento anual. Já o IPVA tem alíquota que varia entre 1% e 4% sobre o valor venal do veículo.

A administração da ilha e o Detran-PE ainda exigem um cadastro que certifica se o veículo está em conformidade com a legislação local. Em caso de irregularidade, ele pode ser apreendido e enviado ao continente.

Além dos trâmites burocráticos, os motoristas de Fernando de Noronha são obrigados a pagar pelo combustível mais caro do Brasil. Por conta dos custos de transporte do continente até a ilha, a gasolina é vendida a R$ 6,79 o litro, enquanto o diesel sai por R$ 5,54 o litro (valores de maio de 2018).

E essas despesas refletem nos valores dos alugueis de veículos. O turista que vai a Fernando de Noronha tem de ir preparado para bancar cerca de R$ 150 pela diária de uma motocicleta ou R$ 280 no caso de um bugue. Já um SUV Mitsubishi Pajero TR4 custa R$ 550, enquanto uma picape a diesel com tração 4×4 sai por salgados R$ 1 mil por dia.

A título de curiosidade, a terceira menor rodovia federal fica em Fernando de Noronha. A BR-363, que liga o porto até a Baía de Sueste, tem apenas sete quilômetros de extensão.

Viagem a convite da Jeep
Fotos: e Shutterstock