Sob o comando do novo presidente para a América Latina, o italiano Antonio Filosa, a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) encaminha os novos planos na região. Com investimentos aprovados para a renovação do portfólio até 2024, a empresa inicia a sua estratégia com a atualização do Uno, que chega à linha 2019 com visual retocado e voltando a usar a motorização Fire 1.0 de quatro cilindros no lugar da atual tricilindrica Firefly 1.0.

Lançado em 2010, o Uno será posicionado na faixa dos R$ 40 mil, possivelmente já equipado de série com ar-condicionado, direção elétrica e vidros dianteiros elétricos, para ficar mais competitivo diante dos compactos de entrada da concorrência, como o Renault Kwid, por exemplo.

A segunda novidade foi revelada em primeira mão pelo Belta-diet.info: trata-se dos motores Firefly turbo, recém-revelados pela FCA em um simpósio na Áustria. As demais estratégias da empresa devem ser reveladas apenas em junho, quando o CEO global do Grupo FCA, Sergio Marchionne, anunciará o último dos investimentos válidos para os próximos cinco anos (o chefão da empresa já está com data de aposentadoria marcada), além do cogitado Jeep menor que o Renegade.

Questionado a respeito dos SUVs, Filosa ressaltou os bons resultados da Jeep no Brasil, onde o Compass lidera o segmento, seguido pelo irmão menor Renegade na terceira posição geral. No entanto, o executivo ressaltou que há espaço para a empresa trabalhar tanto abaixo do Renegade quanto acima do Compass, indicando que novos modelos podem ser lançados por aqui.

Já a Fiat deve oferecer uma versão aventureira do Argo para competir com o Ford Ka Freestyle, Renault Stepway, entre outros.

A estratégia também é parecida entre as picapes. A FCA entende que há a possibilidade para trabalhar abaixo da Strada com um modelo derivado do Mobi, com preço mais baixo e voltado para pequenas empresas e comerciantes. Ainda assim, a Strada deverá ganhar uma nova geração nos próximos anos. E apesar do sucesso de vendas da Toro no país, a FCA deve lançar no país um modelo médio baseado na RAM 1500, adaptado para o tipo de uso do consumidor brasileiro.

Por fim, a Fiat ainda estuda uma forma de melhorar o rendimento dos motores com o uso do etanol. Para Filosa, o combustível vegetal é o “ouro verde” do Brasil e deveria receber muito mais atenção do que atualmente acontece.

Futuro
O etanol também pode ser o caminho para o futuro da eletrificação dos carros vendidos no Brasil. Ao contrário do 500e que, segundo Marchionne, dá prejuízo à empresa, a FCA estudaria uma forma de utilizar o combustível derivado de cana-de-açúcar para gerar energia elétrica – tecnologia semelhante à criada pela Nissan. A explicação é química. Um dos rumos do futuro é a utilização de hidrogênio para gerar eletricidade – como no Hyundai Calarity Fuel Cell – porém, se gasta muito mais energia para extrair hidrogênio da água do que do etanol por conta de suas composições.

Outra possibilidade, porém ainda distante, está no possível sucesso do Projeto Girassol. O estudo prevê o uso de de um sistema fotovoltaico que gera energia elétrica adicional para a bateria. Ou seja, utilizar a luz solar para captar e armazenar eletricidade. Isso resulta em economia de combustível e redução de emissões. Mas o sucesso desse projeto depende do avanço da tecnologia das placas solares, uma vez que o peso elevado desses componentes inviabiliza o projeto.

Alfa Romeo
A Alfa Romeo voltará… ao mercado argentino. A Fiat confirmou que iniciará a importação para o país vizinho sedã Giulia, do hatch Giulietta e do SUV Stelvio – inclusive na configuração mais potente Quadrifoglio Verde. Apesar da crise econômica pela qual enfrenta a Argentina, a importação dos modelos é possível porque a comercialização é feita em dólar.

Outros carros vendidos no país vizinho e que podem chegar ao Brasil são o 500X, um crossover urbano que utiliza a mesma plataforma do Jeep Renegade, e o roadster Fiat 124 Spider Abarth, que seria um carro puramente de imagem da marca no Brasil.

Há estudos de viabilidade para o Brasil, mas dependeria de uma operação forte e o interesse de vender cerca de 10 mil unidades por ano. Ou seja, cerca de 830 unidades por mês. Outro fator que facilitaria é a política industrial Rota 2030.

Rota 2030 e unificação do mercado
Antonio Filosa acredita que o Rota 2030 será um passo importante para a indústria automotiva brasileira, fortalecendo o desenvolvimento de tecnologias e exigindo melhorias em questões de segurança e eficiência energética. Para o executivo, um caminho que o Rota 2030 deveria tomar é se unir ao “Plano 1 Milhão” do Governo Argentino, que prevê o crescimento do mercado automotivo no país vizinho para um milhão de unidades anuais. Com isso, a FCA crê que o ideal seria um plano único entre Brasil e Argentina para que o mercado alcance mais rapidamente 5 milhões de unidades por ano entre os dois países, reduzindo os custos de produção.

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