Num anúncio que sinaliza turbulências para a indústria automotiva dos Estados Unidos, a General Motors informou nesta segunda-feira (26) que pode fechar pelo menos cinco fábricas no país, outras duas no Canadá, e demitir 14.700 empregados ao longo de 2019 — cerca de 15% de sua força de trabalho norte-americana, de 54 mil pessoas.

Dos demitidos, 8.100 trabalham nos escritórios da GM. Do chão de fábrica, devem ser 6.600.

Ao menos em parte, os cortes devem-se ao encerramento da produção de seis modelos das marcas da GM, programado para o ano que vem. São eles:

As demissões ainda serão negociadas com os poderosos sindicatos automotivos norte-americanos — UAW nos EUA, Unifor no Canadá.

A CEO da GM, Mary Barra, afirmou que os cortes são um ajuste para a nova realidade do mercado, que estaria focado cada vez mais em veículos elétricos e autônomos. O crescimento do ridesharing (Uber, Lyft) seria outro fator, já que — ao menos em tese — resulta em menos compradores para carros novos.

As tarifas que o presidente Donald Trump impôs a insumos importados, como aço e alumínio, não foram citadas diretamente por Mary como preponderantes na decisão pelos cortes. No entanto, um representante do UAW declarou nesta segunda que o anúncio mostra a escolha da GM por fabricar carros em outros países por um custo menor — ele citou México e China — para vender nos EUA.

As fábricas que serão fechadas em 2019 poderão receber as linhas de produção de outros veículos, já que faz parte dos planos da GM investir mais em SUVs e crossovers. A rival Ford já anunciou que vai aposentar todos os seus carros de passeio nos EUA (menos o Mustang) e focar somente em utilitários esporte e na linha de picapes, cuja margem de lucro é maior.

Vendas de modelos Chevrolet como Cruze e Impala têm caído fortemente nos últimos meses. Já o semielétrico Volt, tido como símbolo de uma nova GM ao ser lançado em meio à retomada da empresa no pós-crash de 2008, ficou para trás com o sucesso da Tesla e de uma gama cada vez maior de versões híbridas de modelos bem-sucedidos.

A GM do Brasil, que importa o Cruze da Argentina para o mercado local, ainda não se manifestou sobre o futuro do modelo no país.

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