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Começa contagem regressiva para tarifaço de Trump sobre carros e peças importados

18

fev
2019

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve decidir nos próximos três meses sobre a eventual imposição de tarifas de 25% sobre carros e autopeças importados. Governos e montadoras de Alemanha, Japão e Coreia do Sul preparam-se para sofrer perdas bilionárias caso mais essa bomba da guerra comercial patrocinada por Trump — que até agora teve a China como principal alvo — realmente seja detonada.

A decisão sobre o tarifaço deve se basear num relatório — em princípio, confidencial — entregue a Trump pelo Departamento de Comércio dos EUA neste domingo (17). A principal justificativa ensaiada pelo governo americano: carros estrangeiros são “um perigo à segurança nacional”.

O presidente tem 90 dias para anunciar seu plano, mas a ideia de penalizar financeiramente as montadoras estrangeiras não é nova.

Em encontros de líderes ao longo dos últimos dois anos, Trump tocou no assunto várias vezes, para desgosto principalmente da chanceler alemã Angela Merkel — que tem assumido o papel de defensora dos grupos automotivos Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz.

Neste final de semana, Merkel afirmou que é “amedrontador” pensar que os EUA imporão tarifas até mesmo sobre as peças importadas de carros fabricados localmente na América (inclusive de General Motors, Ford e FCA, controladora da Chrysler). A chanceler lembrou ainda que a maior fábrica da BMW no mundo não fica na Bavária, e sim na Carolina do Sul.

A associação de fabricantes de automóveis da Alemanha, VDA (equivalente à brasileira Anfavea), disse ser “incompreensível” qualquer decisão que enquadre carros estrangeiros como uma ameaça aos EUA.

Segundo a VDA, cerca de 300 fábricas ligadas ao setor automotivo alemão (incluindo autopeças) operam nos EUA, gerando 113 mil empregos.

O que a VDA insinuou, o Center for Automotive Research, especializado em estudos do setor automotivo americano, afirmou com todas as letras na semana passada: no pior cenário, um tarifaço patrocinado por Trump pode levar a 370 mil demissões nos EUA e a uma queda de 1,3 milhão de unidades nas vendas de veículos a cada ano. Uma outra previsão fala em 1,8 milhão anuais até 2026.

Isso porque praticamente todos os carros vendidos nos EUA ficariam mais caros. Os aumentos estimados vão de US$ 1.800, para modelos fabricados localmente, a US$ 5.700, para importados de luxo.

A Coreia do Sul também pode ter sua economia abalada pelos caprichos de Trump. Em 2017, o país enviou ao EUA cerca de 840 mil veículos, um terço de todas as suas exportações automotivas. O sangramento causado pelas tarifas, segundo uma previsão citada na imprensa coreana, pode chegar a US$ 3 bilhões por ano.

Modelos como Accent, Elantra e especialmente Sonata e Santa Fe são muito queridos aqui nos EUA. É quase surreal imaginá-los como uma ameaça à indústria local (ao contrário: ajudaram a forçar a evolução das marcas americanas).

O comércio entre os dois países é regulamentado por um acordo bilateral, que supostamente seria rasgado por Trump.

O tarifaço, caso venha mesmo a ocorrer, deve poupar México e Canadá, que recentemente assinaram um novo tratado comercial com os EUA em substituição ao NAFTA.

É um dado importante, pois várias montadoras já fabricam nesses países uma parte de seus carros destinados ao mercado americano. E a tendência é que incrementem essa estratégia se Trump decidir seguir em frente com a decisão mais irresponsável de seu governo, ao menos no que se refere à economia global.

Imagem: Divulgação

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