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Chevrolet Cruze deixa de ser fabricado nos EUA

06

mar
2019

No começo do mês a Ford encerrou a produção do Taurus, seu sedã grande (acima do Fusion). Nesta quarta-feira (6) foi a vez de outro sedã, o Chevrolet Cruze, dizer adeus aos Estados Unidos.

A General Motors encerrou a produção na fábrica de Lordstown (Ohio), eliminando cerca de 1.700 empregos e pondo fim à história local do modelo apresentado ao mundo no Salão de Paris de 2008 — exatamente quando começava a crise financeira global que derreteu a economia dos EUA e levou a GM a pedir concordata um ano depois.

Últimos exemplares do Cruze fazem fila para deixar a fábrica de Lordstown (Ohio)

Últimos exemplares do Cruze fazem fila para deixar a fábrica de Lordstown (Ohio)

O Cruze, que no Brasil aposentou o Vectra e ainda passa por carro quase de luxo, mas que nos EUA é carro de estudante que vive às custas do pai, seguirá sendo fabricado fora do país e abastecendo outros mercados — não há nenhum sinal de que deixará de existir no Mercosul, por exemplo.

Seu desaparecimento reflete uma mudança nos hábitos automotivos dos americanos, que já há alguns anos pagam barato pela gasolina e podem dar-se o luxo de rodar nos mesmos SUVs e picapes que, uma década atrás, pareciam condenados ao ostracismo.

As montadoras americanas aproveitam a onda para encher os cofres, já que as margens de lucro proporcionadas por veículos grandes são maiores. Como já publicado pelo Belta-diet.info, os americanos aceitaram essa proposta, liberando GM, Ford e FCA para cobrar pequenas fortunas por picapes, jipinhos e jipões.

Significativamente, junto com o Cruze deixa de ser fabricado o semi-elétrico Chevrolet Volt, a malsucedida incursão da GM no jogo dos “carros verdes”, que hoje é dominado pela Tesla.

Nas próximas semanas deve ser encerrada também a produção do Chevrolet Impala. Por ora, o médio-grande Malibu resiste.

Claudio de Souza é jornalista desde 1994 e atua no setor automotivo há mais de dez anos. Ex-editor de UOL Carros e Carro Online, ele recebeu o prêmio SAE de jornalismo online em 2011.
Em sua visão, carro tem de ser bom, e não apaixonante. Nesta coluna, discute semanalmente assuntos globais do setor automotivo.
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