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Defasado no Brasil, Citroën C3 muda visual em 2020 e vira elétrico em 22 (mas só na Europa)

08

jun
2019

A terceira geração do Citroën C3 foi lançada há dois anos e meio, em novembro de 2016, e nesta semana cravou a marca de 600 mil unidades emplacadas na Europa, garantindo o posto de 3º carro mais vendido na França e 4º mais vendido do segmento de hatches compactos em todo o continente.

Quando começou a ser oferecido no Brasil, em 2003, o C3 logo recebeu o carimbo de “compacto premium” e deslumbrou parte da mídia especializada, entre outras coisas, por estar totalmente alinhado ao modelo europeu. Hoje no comando da JAC, o empresário Sérgio Habib, então presidente da Citroën no país, fazia questão de lembrar que o modelo não estava disponível para frotistas e taxistas.

Citroën C3 de 3ª geração

Citroën C3 de 3ª geração

No entanto, também naquele novembro de 2016 o C3 global e o brasileiro tomaram rumos diferentes. A PSA decidiu manter em linha na fábrica de Porto Real (RJ) a segunda geração, apresentada em 2012, enquanto o carro europeu evoluiu para a terceira — a que acaba de chegar a 600 mil vendas.

Entre outros fatores, pesou a opção da fabricante pelo desenvolvimento de uma nova plataforma modular para mercados periféricos, como Brasil e Índia (onde a Citroën iniciará operações em 2020), enquanto o C3 europeu continua sendo produzido sobre uma adaptação da PF1, usada na segunda geração.

Citroën C3 de 2ª geração, à venda no Brasil

Citroën C3 de 2ª geração, à venda no Brasil

A distância entre os produtos vai aumentar um pouco já no ano que vem, quando a PSA deve realizar um face-lift no atual C3 europeu — e transformar-se num abismo em 2022: a quarta geração do C3 europeu será construída sobre a plataforma e-CMP, própria para veículos elétricos e com estreia marcada para os próximos meses nas variações EV de Peugeot 208 e Opel Corsa.

Uma pista do futuro do C3 nacional pode estar na já citada Índia. Relatos da mídia local dão conta de que um modelo similar ao C3 (ao menos no porte) pode ser o segundo produto a ser oferecido pela Citroën naquele mercado, em 2021.

Como não poderia deixar de ser, esse novo carro compacto — a ser montado já sobre a plataforma modular para “emergentes” — será mais crossover do que hatch. A aposta é que, iniciada a produção em grande escala (na Índia e certamente em outros países onde a PSA possui fábricas), ele se transforme no substituto sul-americano da 2ª geração do C3.

Citroën C3 Aircross pode ser inspiração para o novo C3 "emergente"

Citroën C3 Aircross pode ser inspiração para o novo C3 “emergente”

O C3 Aircross, versão esportivada do compacto, seria a principal referência para esse modelo inédito; na verdade, o próprio C3 “normal” já deixou para trás as linhas arredondadas em favor de uma silhueta mais compatível com um SUV (ou um simulacro de SUV) de porte modesto e urbano.

MESMA COISA — O relativo abandono do C3 pela Citroën do Brasil não refletiu em perda de mercado significativa para a montadora. Em novembro de 2016, ela detinha 1,25% das vendas de carros de passeio no país.

Naquele mês, o C3 emplacou 903 unidades; no mês seguinte, 1.219. Ao longo de 2017 foram 9.881 vendas, e em 2018, 6.378 — uma queda de 35%.

Até o final de maio deste ano foram licenciadas 1.712 unidades do C3 no Brasil, um número que tirou o compacto da lista dos 50 mais vendidos da Fenabrave (associação das concessionárias) e projeta pouco mais de 4.100 emplacamentos até 31 de dezembro.

No entanto, também no final de maio, a Citroën respondeu por 1,2% do mercado de carros de passeio e SUVs. Uma perda de mero 0,05 ponto percentual em relação ao momento em que o C3 brasileiro tomou o rumo do passado.

Uma curiosidade: enquanto foram emplacados 600 mil C3 de 3ª geração na Europa, o Brasil emplacou 20.093 de 2ª geração. O C3 nacional parte de R$ 53.990 (motor 1.2 e câmbio manual) e vai a R$ 69.990 (motor 1.6 e câmbio automático).

Citroën C3 2003

Citroën C3 2003

Imagens: divulgação