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Primeiro carro a álcool faz 40 anos; combustível só vale a pena em 5 estados

04

jul
2019

A Fiat celebra os 40 anos do lançamento do primeiro carro movido a etanol produzido em série no mundo. Apelidado de “Cachacinha” por conta do odor de álcool que exalava do escapamento, o Fiat 147 lançado em 5 de julho de 1979 representa o primeiro passo em direção ao desenvolvimento de fontes energéticas alternativas e tecnologias mais eficientes e menos poluentes.

Seis anos antes de o “Cachacinha” ser lançado, os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) aumentaram em mais de 400% o preço da matéria-prima dos principais combustíveis consumidos no mundo. A medida foi uma represália contra o apoio dos Estados Unidos a Israel durante a Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão).

A consequência foi a elevação dos preços dos derivados de petróleo e praticamente todo tipo de produto no mundo. No Brasil, houve ainda o fechamento dos postos de abastecimento durante os fins de semana e até mesmo a proibição de competições automobilísticas devido o racionamento de combustível.

Dois anos depois, em novembro de 1975, o governo brasileiro criou o Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool) para incentivar o uso do etanol como combustível para automóveis.

A Fiat foi a primeira fabricante de veículos a apostar no Pró-Álcool, apresentando o primeiro protótipo do “Cachacinha” no Salão do Automóvel de 1976. O carrinho já havia percorrido dezenas de milhares de quilômetros em testes pelo país antes de ser mostrado no evento.

Para rodar com etanol (na época chamado de álcool), o Fiat 147 teve de trocar o motor 1.0 a gasolina por um 1.3 modificado para “queimar” o derivado de cana-de-açúcar. O carburador foi aprimorado para favorecer a mistura de ar e combustível e a taxa de compressão foi elevada de 7,5:1 (gasolina) para 11,2:1 (etanol).

A potência teve ganho de apenas 1 cv em relação aos 61 cv do motor a gasolina. No entanto, o torque saltou de 7,8 kgfm para 11,5 kgfm (ganho superior a 47%). A transmissão de quatro marchas foi mantida. De acordo com a Fiat, o “Cachacinha” acelerava de 0 a 100 km/h em 13,4 segundos e atingia a velocidade máxima de 154 km/h.

Fabricado ininterruptamente entre 1979 e 1987, o Fiat 147 movido a etanol teve 120.516 unidades vendidas no Brasil.

VALE A PENA ABASTECER COM ETANOL EM APENAS 5 ESTADOS
Se na década de 1980 quase 96% dos carros vendidos no país eram movidos ao combustível vegetal por conta do preço mais vantajoso nos postos de abastecimento por não depender das variações de preço do petróleo, atualmente essa relação é inversa.

Embora os motores flex atuais possam rodar com etanol e gasolina em qualquer proporção, o uso do derivado de cana-de-açúcar é vantajoso apenas em cinco estados brasileiros, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

Mesmo com a alta do preço do petróleo, o setor sucroalcooleiro sofre com a estagnação do valor da matéria-prima do etanol, de acordo com a União das Indústrias de Cana-de Açúcar.

Por ter um consumo, em média, 30% superior ao de um motor similar a gasolina, o etanol é vantajoso apenas se custar até 70% do preço por litro do derivado de petróleo.

Voltando ao “Cachacinha”, o carro das fotos é o primeiro carro movido a etanol feito em série. O exemplar foi vendido pela Fiat ao órgão do governo hoje chamado de Ministério da Economia, em Brasília. O 147 ainda funciona perfeitamente, embora nunca tenha passado por uma restauração, apenas manutenção preventiva.

“É emocionante ver esse carro de perto não só pela importância de ser realmente o primeiro Fiat 147 a etanol, mas também por estar funcionando perfeitamente com todos os elementos de época originais, como partida a frio e afogador, além de preservar a tampa vermelha do motor e a pintura original, com direito alguns toques de batida de porta”, afirma Robson Cotta, gerente de Engenharia Experimental da Fiat Chrysler Automóveis (FCA).

Fotos: Divulgação

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